#NoBlackFriday
Sustainability

26 Novembro 2020

#NoBlackFriday

#NoBlackFriday

Chegou a primeira Black Friday realizada durante uma pandemia. Em 2020, até a famosa “azáfama do comércio” _é recebida pelas lojas retalhistas e grandes armazéns com inúmeras alterações ao funcionamento normal do evento. Várias superfícies adotaram a Black Week ou a Cyber November para dispersar o ajuntamentos de clientes. 


Falamos da época inaugural da temporada de compras natalícias com significativas promoções que visam apelar ao comércio de massas. A NAE Vegan Shoes sempre adotou por remar contra esta corrente. O statement #NoBlackFriday personifica a nossa oposição à cultura do consumismo e da fast fashion, dois fenómenos exponencialmente glorificados durante o evento mundial. Afinal, precisamos mesmo da Black Friday? 

 


A ORIGEM: DA CRISE AO EXCESSO


A festividade inaugurada pelos Estados Unidos rapidamente se alastrou pelo resto do mundo. Foi nos anos 2000 que o fenómeno se assumiu como o dia com maior volume de compras do ano. Esta época viu também a oficialização do nome, que passou a ser associado a uma grande baixa dos preços um dia após o Thanksgiving norte-americano. 


Mas o termo “Black Friday” _(sexta-feira negra) tem origens bem mais remotas do que o início do século XXI. O Canal História conta-nos que o termo foi utilizado pela primeira vez a 24 de setembro de 1869, associado a um crash da bolsa de Wall Street. Jay Gould e Jim Fisk foram os autores do fenómeno: os dois bolsistas uniram-se para tentar comprar o máximo de quantidade de ouro do Estado para o venderem posteriormente a preços mais elevados. O golpe fracassou e o mercado entrou em bancarrota, afetando desde os mais pequenos agricultores aos poderosos barões de Wall-Street. 



BLACK FRIDAY; BLACK PANDEMIC


É curioso perceber que a origem do termo está associado a um crash financeiro, algo totalmente antagónico à abundância que o evento representa. Este ano, a Black Friday surge durante outra recessão económica – desta vez, de origem e consequências bem diferentes do crash de 1869. O ano de 2020 é marcado pela primeira Black Friday realizada durante uma pandemia. 


Assistimos ao fechar de portas de negócios locais por todo o mundo e à quase paralisação de inúmeros setores da atividade económica. Os níveis de desemprego dispararam e o poder de compra diminuiu drasticamente. Poderíamos pensar que a Black Friday surge então como um agitar das águas da economia mundial de forma positiva. No entanto, é falacioso cair nesta narrativa. 


Já existem pessoas suficientes incapazes de suportar dívidas contraídas na compra de bens que não precisam, simplesmente por não saberem comprar de forma consciente. Para além disso, a queda drástica e momentânea de preços apenas cria mais discrepâncias dentro dos setores que aderem à Black Friday, resultando na concentração desequilibrada dos lucros. 


E seja qual for o fator económico que apresentemos, qualquer um ganha especial destaque no contexto da crise económica que vivemos este ano. As grandes superfícies que beneficiam da Black Friday não partilham este privilégio com as pequenas lojas de comércio local – _as que mais foram afetadas pelo ciclo económico negativo da pandemia. 


As consequências financeiras da Covid-19 chegaram com uma preocupação sanitária crescente. A Black Friday acaba também por representar tudo aquilo que não precisamos neste momento: longas filas de pagamento; interações entre lojistas e clientes; ajuntamentos nas lojas; desacatos em centros comerciais e outros espaços fechados. Portanto, seria já de esperar que a aposta maior seja nas compras online e na adaptação do evento às medidas sanitárias da realidade em que vivemos


A pandemia fez-nos avançar anos luz na literacia digital e na vida online. Se vivemos e trabalhamos na internet; é também aqui que mais compramos. Apesar do forte apelo para que os clientes optem pelo e-Commerce durante a Black Friday, até neste contexto se preveem sérios riscos associados ao marketing enganoso e roubos online. Todos adoramos uma boa oferta de negócio, mas é de extrema importância estarmos bem informados sobre a segurança do comércio online. 



PORQUE NÃO ADERIMOS À BLACK FRIDAY?


O ímpeto consumista da Black Friday apela à compra supérflua e impulsiva que, muitas vezes, é feita sem necessidade. O evento é totalmente contra aquilo que o comércio sustentável e a moda circular nos ensinam. Este modelo de negócio de produção, consumo e descarte rápido assenta na ideia das tendências sazonais e voláteis. 


A narrativa da fast fashion diz-nos que “estar na moda” _equivale a seguir as tendências, o que leva o consumidor a ter de comprar novas peças e itens de forma frequente. A Black Friday acaba por preconizar esta mentalidade de consumo, ao provocar o aumento drástico da procura após uma baixa geral dos preços. Ora, se aumenta a procura por parte dos clientes, também terá de aumentar a oferta por parte dos fornecedores. 


A necessidade de oferta elevada leva à produção em massa, que acentua inúmeras outras problemáticas pelo caminho: as condições éticas de trabalho ficam mais suscetíveis de serem infringidas; aumenta a acumulação de resíduos nos aterros que poluem o ar que respiramos; e a exploração animal é intensificada de forma a cumprir os prazos de produção.



 

 Fonte: Edward Howell\Unsplash



O ano passado partilhámos consigo algumas dicas para lidar com a pressão e stress incutidos pela Black Friday. Não ceder ao consumismo compulsivo e aderir a campanhas mais sustentáveis ou solidárias é o primeiro passo. Comprar somente aquilo que necessitamos é uma das inúmeras formas de aplicar o minimalismo nas nossas vidas. O objetivo nunca deve ser acabar com as compras, mas responsabilizar os que nos rodeiam para práticas de comércio mais sustentáveis e viáveis para todos. 

 

Vamos comprar de forma consciente e segura?


NAE




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